Se acaso

by Lou Mello on 18 de September de 2014 · Comments

in PsicoLougia de Botequim

091814 1317 Seacaso1 Se acaso Lupicínio Rodrigues

 

“Eu não sei se o que trago no peito/ É ciúme, despeito, amizade ou horror;/ Eu só sei é que quando eu a vejo,/ Me dá um desejo de morte ou de dor”:

Lupicínio Rodriques

 

Certamente não publicarei esse texto no blog. O pior de todos os erros seria admitir minha falência. Melhor morrer mentindo e salvar alguma dignidade.

Acho que isso se chama desamparo e ninguém menos que Jesus Cristo o sentiu quando se viu pregado naquela cruz ridícula com a qual ceifaram sua a vida. Sem esquecer que foram os sacerdotes da época seus carrascos, embora não tenham sujado as mãos com carne e sangue tão medíocre, entregando essa parte aos romanos, mais acostumados a eliminar a ralé. Depois vocês não sabem porque os considero baitas sacanas.

Os sacerdotes de hoje devem ser a reencarnação daqueles algozes do Filho do Homem, certamente mais aprimorados em maldade e safadeza. O apóstolo Paulo foi outro a sentir o desamparo quando se viu atrelado a uma corrente presa em uma bola de ferro impossível de ser movida. Também teve morte horrorosa, segundo dizem, teria sido decapitado. Pelo jeito, não há salvação para quem foi premiado com esses destinos cruéis.

Dia 16 próximo passado, Lupicínio Rodrigues completaria um século de vida se vivo estivesse. Bem longe disso, faleceu pouco antes de completar sessenta anos, segundo dizem, devido a problemas no coração. Acredito nisso, mas não tanto nas questões físicas e clínicas, mas seu coração deve ter parado cansado de viver sendo constantemente abandonado, enjeitado, traído e mal amado. É paradoxal demais, um cara escrever mais de uma centena de músicas, falando só das conhecidas (dizem que há mais outra centena, ainda a serem reveladas, ao menos), e viver e morrer desamparado de amor, amizade e companhia.

Se acaso você chegasse
No meu chateau e encontrasse
Aquela mulher que você gostou
Será que tinha coragem
De trocar nossa amizade
Por ela que já lhe abandonou?

Não acredito que o problema dele tenha sido só desilusões de amor relacionadas às mulheres de sua vida. Esse cara conheceu o limbo, olhar, mesmo em meio a multidões, e sentir só desprezo. Conviver com seus familiares como se fosse um zumbi, sem atenção, carinho ou mesmo respeito. Lá pelas tantas, a pior das conclusões: sou responsável por tudo que me sobrevém: o tal atestado de incompetência.

Aí não há coração que resista, se não for pior, pois muitos acabam sem a memória, a dignidade e a vida, igualmente. As pessoas não perdem a memória, apagam-na, por vários motivos, culpa, negação e falta de amor, também. Quem quer admitir ser um mal amado?

Pronto, acho que já posso voltar para cama e dormir um pouco. Isso estava dentro de mim, fazendo o maior barulho para eu abrir-lhe a porta para que pudesse sair. Quem consegue dormir com um barulho desses?

morcego 12 150x150 Se acaso

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091214 0104 SteveJobsno1 Steve Jobs não deixava os filhos mexerem em iPads e iPhonesNick Bilton

  • 091214 0104 SteveJobsno2 Steve Jobs não deixava os filhos mexerem em iPads e iPhones

    Assim como outros executivos do ramo da tecnologia, Steve Jobs limitava ao máximo o tempo que seus filhos podiam mexer em iPads e iPhones

Quando Steve Jobs dirigia a Apple ele era conhecido por ligar para jornalistas para lhes dar um tapinha nas costas por um artigo recente ou, com maior frequência, para explicar como entenderam errado. Eu estive do outro lado da linha em uma dessas ligações. Mas nada me chocou mais do que algo que Jobs me disse no final de 2010, após acabar comigo por algo que escrevi sobre uma falha do iPad.

“Então, seus filhos devem adorar o iPad?” eu perguntei a Jobs, tentando mudar de assunto. O primeiro tablet da empresa tinha acabado de chegar às lojas. “Eles não o usaram”, ele me disse. “Nós limitamos quanta tecnologia nossos filhos usam em casa.”

Eu estou certo que respondi com um silêncio estupefato. Eu imaginava o lar de Jobs como sendo um paraíso dos nerds: que as paredes eram telas de toque gigantes, a mesa de jantar era feita de iPads e que iPods eram dados aos convidados como chocolates em um travesseiro.

Não, disse-me Jobs, longe disso.

Desde então eu conheci vários executivos-chefes e capitalistas de risco que dizem coisas semelhantes: eles limitam rigidamente o tempo de seus filhos diante de telas, frequentemente proibindo todo tipo de aparelhos em noites de dias de aula e alocando limites de tempo rígidos nos fins de semana.

Eu fiquei perplexo por esse estilo de criação. Afinal, a maioria dos pais parece adotar a abordagem oposta, permitindo que seus filhos se banhem no brilho de tablets, smartphones e computadores, dia e noite.

Mas esses executivos-chefe de tecnologia parecem saber algo que o restante de nós não sabe.

Chris Anderson, o ex-editor da revista “Wired” e agora executivo-chefe da 3D Robotics, uma fabricante de drones, institui limites de tempo e controle dos pais em todos os aparelhos em seu lar.

“Meus filhos acusam minha esposa e eu de sermos fascistas e exageradamente preocupados com tecnologia, e dizem que nenhum de seus amigos enfrentam as mesmas regras”, ele disse sobre seus cinco filhos, com idades entre 6 e 17. “Isso se deve por termos vistos os riscos da tecnologia pessoalmente. Eu já vi, e não quero que isso aconteça com meus filhos.”

Os riscos a que ele se refere incluem exposição a conteúdo prejudicial, como pornografia, bullying de outras crianças, e talvez o pior de tudo, se tornar viciado em seus aparelhos, como seus pais.

Alex Constantinople, o executivo-chefe da OutCast Agency, uma empresa de comunicações e marketing focada em tecnologia, disse que seu filho mais novo, que tem 5 anos, não é autorizado a usar aparelhos no fim de semana, e seus filhos mais velhos, de 10 a 13 anos, só podem usar 30 minutos por dia nas noites de dias de aula.

Evan Williams, um fundador do Blooger, Twitter e Medium, e sua esposa, Sara Williams, disseram que em vez de iPads seus dois filhos pequenos têm centenas de livros (sim, físicos) que podem pegar e ler a qualquer hora.

E como as mães e pais tecnológicos determinam os limites apropriados para seus filhos? Em geral, de acordo com a idade.

As crianças com menos de 10 anos parecem mais suscetíveis a ficarem viciadas, de modo que esses pais decidem não permitir acesso a quaisquer aparelhos durante a semana. Nos fins de semana, há limites de 30 minutos a duas horas de uso do iPad e smartphone. E entre os 10 e 14 anos é permitido o uso do computador nas noites de dias de aula, mas apenas para lição de casa.

“Nós temos uma limitação rígida de acesso às telinhas para nossos filhos”, disse Lesley Gold, fundador e presidente-executivo do SutherlandGold Group, uma empresa de relações entre mídia e tecnologia e análise. “Mas é preciso relaxar à medida que ficam mais velhos e precisam do computador para a escola.”

Alguns pais também proíbem adolescentes de usarem as redes sociais, exceto para serviços como o Snapchat, que apaga as mensagens após serem enviadas. Assim, eles não precisam se preocupar com ter dito algo online que venha a assombrá-los no futuro, me disse um executivo.

Apesar de alguns pais não ligados em tecnologia que conheço darem smartphones para crianças de apenas 8 anos, muitos dos que trabalham em tecnologia esperam até seus filhos terem 14. Apesar desses adolescentes poderem fazer chamadas e enviar mensagens de texto, eles não recebem um plano de dados até os 16 anos. Mas há uma regra que é universal entre os pais tecnológicos que entrevistei.

“Essa é a regra número 1: nada de telas no quarto. Ponto. Nunca”, disse Anderson.

Apesar de alguns pais tecnológicos estabeleceram limites baseados em tempo, outros são mais rígidos sobre o que seus filhos podem fazer com seus aparelhos.

Ali Partovi, um fundador do iLike e consultor do Facebook, Dropbox e Zappos, disse que é preciso haver uma distinção forte entre o tempo gasto “consumindo”, como assistir YouTube ou jogando games, e tempo gasto “criando” nas telas.

“Assim como eu não sonharia em limitar quanto tempo uma criança pode passar com seus pincéis, ou tocando piano ou escrevendo, eu acho absurdo limitar o tempo gasto criando arte no computador, editando vídeo ou fazendo programação”, ele disse.

Outros disseram que proibições totais podem sair pela culatra e criar um monstro digital.

Dick Costolo, presidente-executivo do Twitter, me disse que ele e sua esposa aprovam uso ilimitado de aparelhos desde que seus dois filhos adolescentes estejam na sala de estar. Eles acreditam que limitações demais de tempo poderiam ter efeitos adversos sobre seus filhos.

“Quando eu estava na Universidade de Michigan, tinha um sujeito que vivia no dormitório vizinho ao meu, e ele tinha engradados e engradados de Coca-Cola e outros refrigerantes em seu quarto”, disse Costolo. “Eu descobri posteriormente que era porque os pais dele nunca permitiram que ele tomasse refrigerante quando era garoto. Se você não deixar seus filhos terem alguma exposição a essas coisas, que problemas isso causará depois?”

Eu nunca perguntei a Jobs o que seus filhos faziam em vez de usarem os aparelhos que ele produzia, de modo que perguntei a Walter Isaacson, o autor de “Steve Jobs”, que passou muito tempo na casa dele.

“Toda noite, Steve fazia questão de jantar na grande mesa longa na cozinha deles, discutindo livros e história e uma variedade de coisas”, ele disse. “Ninguém nunca pegava um iPad ou computador. As crianças não pareciam nem um pouco viciadas nesses aparelhos.”
 

 
 

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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Saltimbancos na Gruta

by Lou Mello on 5 de September de 2014 · Comments

in Confissões de Lou

090514 0359 Saltimbanco1 Saltimbancos na Gruta

Não tenho conseguido tempo para escrever, nos últimos tempos, como gostaria. Muitas ideias e pensamentos passam por minha mente sem que possa dar-lhes asas. Ando absorvido com os desdobramentos advindos do falecimento de minha sogra, a deterioração da saúde de minha mãe, nova mudança de residência e outras atividades e preocupações menores. Além disso, continuo em minha marcha ao lado dos MST (Movimento dos Sem T…rabalho) uma manifestação silenciosa que atinge, sobretudo, gente mais velha. Mas Deus, ainda que inconstante e seletivo (Ele costuma dar mais atenção a pessoas diferentes de mim) não tem me deixado chegar na penúria total. Volta e meia, faço algum trabalho esporádico, recebo algum troco inesperado ou aparece alguém ou alguma situação para me salvar, sobretudo nas pequenas causas.

Ontem estive na cidade onde minha mãe está internada em um “Lar” para idosos mantido por uma igreja protestante. Eles me chamaram lá para comunicar que não estão contentes com o comportamento dela. A velhinha anda muito indisciplinada, com atitudes inaceitáveis para uma idosa cheia de demência e Alzheimer, segundo me informaram. Deram prazo para ela adaptar-se (leia-se: não dar problemas) ou irão me devolve-la, lembrando-me que o Estatuto do Idoso (mais uma dessas “leis” excrementosas produzidas pelo nosso “Congresso corrupto e comunista”) prevê que eu, como filho único dela, sou obrigado a cuidar dela, sob pena de prisão e não interessa se tenho família, trabalho, comida e condições de cuidar dela, mesmo que fosse minimamente. A grana que ela pagou a vida inteira ao estado nem de longe tornou o estado obrigado a proporcionar-lhe lugar para viver em seus últimos dias. Disseram mais, se eu não o fizer e for para a cadeia por tanto, meus filhos herdarão o abacaxi, digo, minha mãezinha doidinha da silva.

Enfim, da Vila Constância para a Vila Canaã, tal qual nosso pai Abraão que saiu da Constância onde não havia maiores preocupações para encontrar sua Canaã, terra onde devia manar leite e mel. Até hoje a descendência do velhinho está procurando o tal leite com mel, fora que até agora não conseguiram tomar posse do lugar, como Deus lhes prometeu. Claro que a culpa é deles, quem mandou serem desobedientes.

Tudo bem, quem sabe não sou um novo Abraão e consigo fazer melhor do que o velho pai do povo de Deus fez. Pelo menos não darei minha mulher para rei nenhum traçar. Coisa mais besta sô.

 morcego 12 Saltimbancos na Gruta

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Papai Nobel

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